Língua Presa em Bebês: Quando a Frenotomia é Realmente Necessária?

Quando um bebê nasce, tudo é novidade, para ele e para os pais. E em meio a tantas descobertas, às vezes surge uma dúvida comum:

“Meu bebê tem língua presa? Precisa cortar o freio?”

Se você chegou até aqui, provavelmente já ouviu opiniões diferentes, pesquisas contraditórias e até aquela amiga que disse “faz logo que resolve tudo!”.
Mas vamos por partes.

Para começar, língua presa, ou anquiloglossia, no nome técnico, é simplesmente quando o freio lingual (aquela “pelinha” embaixo da língua) é mais curtinho ou firme, limitando um pouco a movimentação da língua.

Isso pode acontecer, e acontece mais do que parece. Mas isso não significa, automaticamente, que o bebê precisa de cirurgia.Órgãos como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a Academia de Amamentação (ABM) reforçam a mesma coisa:

👉 O que importa não é a aparência do freio, e sim a função da língua.

Como saber se a língua presa está atrapalhando?

Aqui está um ponto muito importante: bebês são diferentes entre si.
Alguns têm um freio curtinho, mas mamam super bem. Outros têm um freio aparentemente normal, mas têm dificuldade de pegar o peito. Por isso, as avaliações precisam ser sempre individualizadas.

Os especialistas observam alguns sinais que podem indicar dificuldade real:

  • o bebê solta o peito toda hora
  • faz estalinhos durante a sucção
  • parece cansar rápido ao mamar
  • a mamada demora muito e não é eficiente
  • o ganho de peso começa a preocupar
  • a mãe sente dor persistente, mesmo após ajustes na pega

Mas, atenção: ter um ou dois desses sinais não quer dizer automaticamente que é língua presa.

O recomendado é avaliar sempre o conjunto da obra: mãe + bebê + peito + técnica + freio.

Quando a frenotomia é indicada?

A resposta curta é: quando a língua realmente não consegue realizar os movimentos necessários para mamar bem, e isso já está causando impacto.

✔ A amamentação está sendo prejudicada

E isso não é uma suposição, é observado na prática. Mesmo com ajuda para melhorar a pega, posição e outras técnicas, o bebê ainda não consegue mamar de forma eficiente.

✔ A mãe continua sentindo dor intensa

E essa dor não melhora mesmo após ajustes feitos por profissionais.

✔ O bebê não ganha peso como deveria

Mesmo sendo saudável e tendo suporte adequado.

✔ Existe uma limitação clara de mobilidade

Não apenas um freio “curtinho”, mas um freio que realmente impede a língua de se mover como deveria.

Quando todos esses fatores se juntam, aí sim a frenotomia pode ser recomendada, sempre por profissionais capacitados, como pediatras, odontopediatras ou especialistas em amamentação.

E quando a frenotomia não é necessária?

Isso é algo que os órgãos responsáveis esclarecem cada vez mais:

❌ Quando o bebê mama bem, sem dor e ganha peso normalmente
❌ Quando só o aspecto “anatômico” parece diferente (“ah, o freio dele é curto…”)
❌ Para prevenir problemas futuros de fala, não há evidência científica que justifique isso
❌ Por ansiedade ou pressa, cada bebê tem seu tempo e sua adaptação

Como é o procedimento?

Se houver indicação, fique tranquilo: a frenotomia é um procedimento bem rápido.
A ABM e a ABO explicam que:

  • dura alguns segundos
  • pode ser feita com tesoura ou laser
  • normalmente não requer anestesia geral
  • e na grande maioria das vezes o bebê mama imediatamente depois

Os riscos existem, claro, como qualquer procedimento, mas são raros e leves quando feitos por profissionais habilitados.

O acompanhamento é fundamental

A frenotomia pode ajudar, mas não faz milagres sozinha.
Após o procedimento:

  • reavaliar a mamada
  • acompanhar com fonoaudiólogo quando necessário
  • orientar exercícios (somente se forem indicados)
  • seguir com apoio à amamentação

Muitos bebês melhoram logo nas primeiras mamadas, enquanto outros precisam de alguns dias para se adaptar.

Nem toda língua presa precisa de frenotomia, e isso é importante dizer.
O que realmente importa é a função da língua e o bem-estar do bebê e da mãe.
A decisão deve ser baseada em avaliação profissional, calma e informação de qualidade.

E você já deu o primeiro passo por estar aqui buscando entender melhor.

Gostou desse conteúdo? Leia também o artigo “Bebês, mesmo com poucos dentes, precisam ir ao dentista”

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